O sonho tecnológico
De Luísa Bessa, no Jornal de Negócios:
Prosseguindo na estratégia de «damage control», o Governo deixou vir a público o documento síntese elaborado pelo coordenador demissionário e anunciou que o plano vai a Conselho de Ministros esta semana. Mas já nada poderá apagar a imagem destes seis meses de gestação do plano, cujo anúncio chegou a ser prometido para o final de Setembro, sem que os agentes a quem se dirigia tenham sido envolvidos nos trabalhos. Mais uma prova de que mesmo quando prega a inovação e a flexibilidade, o Estado fica refém dos piores vícios centralistas.
Prosseguindo na estratégia de «damage control», o Governo deixou vir a público o documento síntese elaborado pelo coordenador demissionário e anunciou que o plano vai a Conselho de Ministros esta semana. Mas já nada poderá apagar a imagem destes seis meses de gestação do plano, cujo anúncio chegou a ser prometido para o final de Setembro, sem que os agentes a quem se dirigia tenham sido envolvidos nos trabalhos. Mais uma prova de que mesmo quando prega a inovação e a flexibilidade, o Estado fica refém dos piores vícios centralistas.
4 Comments:
Gostaria de saber o que está previsto pelo Governo para a promoção de um acesso verdadeiramente democrático e ao alcance de todos os portugueses à Internet, enquanto bem de utilidade pública.
A importância que a Internet tem na sociedade de hoje não pode ser olhada de um ponto de vista acessório – deve servir de instrumento para tirar-nos da periferia europeia, enquanto instrumento de centralidade económica. Em Portugal, contudo, o negócio do fornecimento deste importante serviço (como acontece com quase todos os outros fundamentais da economia) está viciado desde o início pelo facto da PT querer ganhar dinheiro a todo custo, anulando a concorrência através de preços vergonhosos de retalho de banda larga. Parece-me que o comboio da Internet é outro que vamos perder, se o Governo não assumir de uma vez por todas que é de todos os portugueses e não apenas de um grupo restrito de empresas. Se a mão invisível não funcionar, que se corte. Em Espanha há Internet com velocidades de 20Mbps a preços a rondar os 20 euros (sem limites de tráfego) - como seria de esperar não são da Telefonica (a mais calórica irmã gémea ibérica da nossa PT).
O negócio da Internet em Portugal faz-me lembrar o daquele indivíduo que chega antes de toda a gente ao centro de saúde, recolhe os tickets e depois vende-os a 5 euros a quem necessita de ser consultado.
Talvez a geração dos gestores em Portugal seja demasiado esclerosada para perceber que cobrar para aceder à rede é como cobrar para entrar num centro comercial: maior parte dos clientes fica do lado de fora.
Se somos nós que fazemos a rede, queremos Internet grátis e em todo o lado!
O que o Plano propõe neste campo são duas medidas:
Generalização da utilização e oferta de banda larga
e
Comunicações de Banda Larga sobre Tecnologia Powerline.
Sobre a primeira, o Plano diz que terá de haver "acção do regulador, no Quadro da Lei das Comunicações Electrónicas, garantindo o acesso à rede existente por novos operadores e/ou o investimento destes em infra-estrutura própria e fomentando a concorrência entre diferentes plataformas tecnológicas, com destaque para as redes de UMTS, a televisão digital terrestre e serviços VOIP".
Sobre a segunda, diz o Plano: "Tem-se como objectivo a comercialização de soluções de voz e Internet de Banda Larga, a disponibilizar através da infra-estrutura eléctrica, do prédio do utilizador final, sem necessidade de qualquer cablagem adicional e com total independência de qualquer outro operador de telecomunicações".
Pelo que se percebe, está para breve a introdução de Internet sobre rede eléctrica...
Muito obrigado pela rapidez da vossa informação. Espero que o Público continue a prestar este tipo de serviço aos seus leitores.
SampasFartoDisto
Deixem-se de treta disso do acesso generalizado á Net.Ponham mas é a Portugal Telecom na ordem. Esses gajos têm o monopolio e pronto. Cobram quase 15 Euros de assinatura fora o resto e nem há opção viável e na realidade bem real, a Telecom é uma empresa estatal não precisa de seduzir clientes, logo se o governo tá mesmo interessado nesse tão poético plano , pode começar em casa e fazer com que a telecom ponha preços de acordo com o país onde tá inserida. nós não somos uma Suécia...
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